DE "EU PRECISO" PARA "FOI UM ERRO": FRANCO VALÉRIO MUDA O DISCURSO SOBRE O VALE-ALIMENTAÇÃO

A polêmica do vale-alimentação de R$ 1.700 para os vereadores de Cáceres ganhou mais um capítulo durante a sessão desta segunda (08).

Ao usar a tribuna, o vereador Franco Valério afirmou que a criação do benefício teria sido fruto de um erro técnico e atribuiu a situação ao entendimento jurídico da Casa.

Segundo o parlamentar, o equívoco estaria no fato de que o auxílio-alimentação já estaria contemplado dentro da verba indenizatória recebida pelos vereadores, razão pela qual a proposta acabou sendo revogada.

Franco ainda fez um alerta para que o setor jurídico da Câmara tenha mais atenção em futuras análises de projetos semelhantes.

A declaração, porém, chama atenção porque contrasta com posicionamentos anteriores do próprio vereador.

Durante a repercussão do caso, Franco havia defendido publicamente o benefício e chegou a afirmar, em uma entrevista, que não devolveria o valor que não havia nada de errado, argumentando que precisava do auxílio em razão do intenso trabalho desenvolvido no mandato e do esforço intelectual exigido pela função parlamentar.

Agora, a justificativa apresentada muda completamente o foco do debate.

O problema, segundo a nova versão, não seria a repercussão negativa, nem a forte rejeição popular, mas um erro de interpretação sobre a própria estrutura remuneratória dos vereadores.

A fala repercute entre os que acompanham esse embrólio.

Se realmente houve um erro técnico, como um projeto dessa magnitude conseguiu avançar, ser analisado, receber pareceres e chegar ao ponto de ser aprovado?

E mais:

Se o auxílio já estaria contemplado na verba indenizatória, por que essa situação só veio à tona depois da enorme repercussão junto à população?

O fato é que a narrativa sobre o vale-alimentação continua mudando.

Primeiro, o benefício era justo.

Depois, disseram que não era crime.

Agora, a explicação é que tudo não passou de um erro.

Enquanto isso, muitos contribuintes seguem fazendo a mesma pergunta desde o início da polêmica:

Se já existia salário, diária e verba indenizatória, por que criar mais um benefício?

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