Carlinhos Alencar questionou a origem dos recursos e cobrou atenção da Justiça Eleitoral. Cléber Cela também levantou dúvidas sobre a quantia encontrada na residência do ex-prefeito, eleito deputado estadual.
A eleição de Alcino Barcelos para deputado estadual não colocou fim aos questionamentos sobre a operação policial que teve o ex-prefeito de Pontes e Lacerda como um dos alvos. Durante a 28ª sessão ordinária da Câmara Municipal, o vereador Carlos Henrique Ferreira Alencar, conhecido como Carlinhos, voltou a abordar o assunto e fez uma declaração que chamou atenção: segundo ele, aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro vivo encontrados durante a operação não constariam na declaração de bens apresentada por Barcelos à Justiça Eleitoral.
O parlamentar levantou dúvidas sobre a situação patrimonial do deputado eleito e questionou a ausência do valor nos registros eleitorais.
“Porque quando o senhor registrou sua campanha, o senhor não declarou aquele dinheiro que estava lá. Tá lá para todo mundo ver.”
Na sequência, Carlinhos mencionou o montante que, segundo ele, teria sido encontrado durante a ação policial.
“Então, 300 mil não tava lá declarado na campanha. Vamos ver se a Justiça Eleitoral vai resolver sobre isso, né?”
A declaração trouxe para o plenário uma discussão que ultrapassa a disputa política: a necessidade de esclarecer a origem dos recursos e verificar se havia obrigação de informá-los na declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral.
OUTRO VEREADOR TAMBÉM QUESTIONOU O DINHEIRO
O assunto não ficou restrito ao pronunciamento de Carlinhos.
O vereador Cléber Cela também comentou a operação e afirmou considerar incomum a existência de uma quantidade elevada de dinheiro em espécie na residência de um agente político.
“Não é natural. Não é natural muito dinheiro vivo dentro de casa.”
Cléber ressaltou que cabe aos órgãos de controle realizar as investigações e ao proprietário dos recursos apresentar os esclarecimentos necessários.
“Cabe ao dono do dinheiro comprovar a sua licitude e tá tudo certo.”
O parlamentar também mencionou a suposta ausência do montante na declaração encaminhada à Justiça Eleitoral, destacando que a análise da questão deve ser feita pelas autoridades competentes.
ELEITO DEPUTADO, MAS AINDA ALVO DE QUESTIONAMENTOS
Alcino Barcelos saiu vitorioso das urnas e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entretanto, as manifestações dos vereadores mostram que as controvérsias envolvendo seu nome continuam presentes no debate político de Pontes e Lacerda.
A questão levantada por Carlinhos é objetiva: se os R$ 300 mil mencionados foram encontrados durante a operação, qual seria a origem do dinheiro e como esse patrimônio deveria constar nas informações prestadas à Justiça Eleitoral?
É importante esclarecer que manter dinheiro em espécie não constitui, por si só, crime. Da mesma forma, a existência de valores em uma residência não comprova automaticamente irregularidade eleitoral. A eventual obrigação de declaração depende das circunstâncias patrimoniais e das regras aplicáveis.
Até o momento, as afirmações sobre a ausência do valor na declaração eleitoral são baseadas nos pronunciamentos dos vereadores. A transcrição da sessão não apresenta documentos que comprovem essa divergência nem uma conclusão oficial das autoridades sobre a origem dos recursos.
O fato é que, enquanto aliados comemoram a eleição de Alcino Barcelos, adversários continuam cobrando explicações sobre os desdobramentos da operação.
Nas urnas, Alcino conquistou o mandato. Mas as perguntas sobre o dinheiro mencionado pelos vereadores continuam exigindo respostas documentadas, e não apenas discursos políticos.
O Oeste News mantém espaço aberto para que Alcino Barcelos se manifeste sobre os questionamentos apresentados na Câmara Municipal.
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