Tem coisa que só acontece em Cáceres.
Um dos pontos mais movimentados da cidade, na região do Posto Pedro Neca, entrada da cidade e passagem obrigatória para vários veículos diariamente, já enfrentava problemas constantes por causa de um semáforo que vivia apresentando falhas.
Às vezes funcionava.
Às vezes não funcionava.
Às vezes piscava.
Às vezes confundia motoristas.
Ou seja, o equipamento precisava de manutenção, modernização ou substituição.
Mas parece que a solução encontrada foi ainda mais criativa.
Tiraram o semáforo.
Pronto.
Problema resolvido.
Ou pelo menos resolvido no papel.
É como aquele motorista que está dirigindo e o painel começa a apitar avisando que o motor está com defeito.
Em vez de levar na oficina, ele pega um martelo e quebra o painel.
O defeito continua lá.
Mas o aviso desapareceu.
Genial.
A lógica parece ser exatamente a mesma.
Se o semáforo apresentava falhas, o correto seria consertar.
Se estava ultrapassado, deveria ser substituído.
Se era insuficiente para o fluxo atual, deveria ser modernizado.
Mas remover completamente um equipamento de controle de trânsito em um dos cruzamentos mais importantes da cidade levanta uma pergunta inevitável:
A intenção era resolver o problema ou apenas fazer o problema desaparecer dos relatórios?
Porque o fluxo de veículos continua existindo.
Os riscos continuam existindo.
Os conflitos entre motoristas continuam existindo.
A única coisa que desapareceu foi o equipamento que deveria organizar tudo isso.
E Cáceres parece estar se tornando especialista nesse tipo de solução.
Tem buraco? Remenda.
Tem reclamação? Ignora.
Tem problema? Esconde.
Tem semáforo com defeito?
Tira o semáforo.
A população agora espera para saber qual será o próximo capítulo dessa engenharia administrativa inovadora, onde a solução para um equipamento que não funciona não é consertá-lo.
É fazê-lo desaparecer.
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