Depois da polêmica do vale-alimentação de R$ 1.700 para vereadores, mais uma proposta envolvendo benefícios financeiros começa a chamar atenção em Cáceres.
Desta vez, o assunto é um projeto apresentado pelo vereador Pastor Júnior para instituir auxílio fardamento aos guardas municipais patrimoniais do município.
A princípio, a proposta pode até parecer positiva. Afinal, ninguém é contra valorizar os servidores públicos.
Mas a discussão levanta uma pergunta simples e que já começou a circular entre moradores e contribuintes:
Se a farda é equipamento obrigatório para o exercício da função, por que seria necessário criar um auxílio para isso?
A situação gera duas possibilidades.
A primeira:
A Prefeitura já fornece uniformes normalmente. Se for esse o caso, qual seria a necessidade de criar um novo benefício?
A segunda:
A Prefeitura não está fornecendo adequadamente os uniformes. Se for esse o caso, o problema não seria criar um auxílio, mas sim cobrar da administração municipal o fornecimento do material obrigatório de trabalho.
Afinal, uniforme de servidor, equipamento de proteção e itens necessários para o exercício da função não deveriam ser tratados como benefício. Deveriam ser obrigação básica da administração pública.
A proposta também abre um debate maior.
Nos últimos meses, Cáceres parece ter entrado numa verdadeira temporada de auxílios, benefícios, gratificações e indenizações.
Enquanto isso, a população continua enfrentando problemas muito mais urgentes:
📌 ruas esburacadas
📌 reclamações na saúde
📌 dificuldades na infraestrutura
📌 cobranças por melhorias nos bairros
E a sensação de muitos contribuintes é que existe uma facilidade enorme para discutir novos benefícios, mas uma dificuldade ainda maior para resolver problemas que afetam diretamente a população.
A questão principal nem é ser contra os guardas municipais.
Muito pelo contrário.
A pergunta que fica é:
O correto é criar mais um auxílio ou garantir que a Prefeitura cumpra sua obrigação de fornecer os uniformes necessários para quem trabalha?
Porque, se amanhã faltar cadeira, computador ou combustível, a solução também será criar um auxílio?
Ou será que está faltando atacar a causa do problema em vez de criar mais um benefício para contorná-lo?
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