A polêmica do vale-alimentação de R$ 1.700 para os vereadores de Cáceres parece ter aberto uma nova frente de batalha nas redes sociais.
Após o vereador Cézare Pastorello se posicionar contra o benefício e afirmar publicamente que não pretende receber o auxílio, apoiadores e adversários políticos passaram a trocar críticas na internet.
O que chama atenção é que, em vez de discutir o mérito da questão — se é certo ou errado criar mais um benefício para vereadores — parte do debate acabou migrando para a vida funcional do parlamentar.
Entre os argumentos utilizados por críticos, aparece com frequência a afirmação de que Pastorello só rejeita o vale porque possui remuneração elevada em sua atividade profissional.
Mas a pergunta que fica é: desde quando passar em concurso público e receber o salário previsto em lei virou motivo de vergonha?
Se alguém estudou, prestou concurso, foi aprovado e exerce regularmente sua função pública, isso não configura privilégio ilegal, irregularidade ou imoralidade.
Muito pelo contrário.
Concurso público existe justamente para selecionar profissionais por mérito, conhecimento e capacidade técnica.
A discussão sobre o vale-alimentação deveria girar em torno de uma questão simples:
Os vereadores precisam ou não de mais R$ 1.700 pagos pelo contribuinte?
Mas, para alguns, parece mais fácil atacar quem discorda do benefício do que responder aos questionamentos feitos pela população.
O curioso é que ninguém vê o mesmo empenho para criticar salários de políticos indicados para cargos de confiança ou estruturas mantidas por acordos políticos.
Quando o assunto é um servidor concursado, aí surgem as críticas.
No fim das contas, a polêmica revela algo preocupante: em vez de discutir se o auxílio é justo, necessário ou moral, alguns preferem transformar o debate em ataque pessoal.
E isso não responde a principal pergunta que continua sem solução:
Se os vereadores já recebem salário, diárias e verba indenizatória, por que precisavam de mais R$ 1.700?
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