Mesmo com arrecadação milionária, uma calçada danificada nas proximidades da praça principal continua provocando reclamações. Vereadores afirmam que o problema já foi levado à Prefeitura, mas a solução ainda não chegou.
Em Sapezal, a Prefeitura cobra dos moradores e comerciantes a responsabilidade pela manutenção das calçadas. Entretanto, quando o assunto é uma calçada localizada em área pública, a situação parece ser bem diferente.
A contradição foi exposta durante a 24ª sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na segunda-feira, 5 de outubro, quando vereadores criticaram as condições de uma calçada nas proximidades da praça principal da cidade.
O assunto ganhou destaque após o vereador André apresentar imagens encaminhadas por um morador, mostrando as condições do local.
Visivelmente incomodado com a situação, o parlamentar cobrou providências da administração municipal e questionou por que a cobrança feita à população não estaria sendo acompanhada pelo exemplo do próprio poder público.
“Nós cobra a calçada da população, cobra a calçada dos comércios e por que o espaço público não tá?”
A pergunta é simples, mas coloca a Prefeitura diante de uma situação constrangedora: como exigir dos cidadãos aquilo que o próprio município estaria deixando de fazer?
“SE EU FOSSE GESTOR, JÁ TINHA UMA EQUIPE LÁ”
Durante o pronunciamento, André afirmou que recebeu o vídeo de um eleitor e que o prefeito Cláudio Scariote também teria tido acesso às imagens por meio de um grupo de WhatsApp.
O vereador demonstrou indignação com a demora para resolver um problema que, em sua avaliação, poderia receber uma resposta rápida da administração.
“Eu hoje, sinceramente, com todo respeito, se eu recebesse um vídeo desse como gestor, hoje tava uma equipe lá fazendo isso.”
André ressaltou que a situação não é recente e alertou para o risco de acidentes envolvendo pedestres, especialmente crianças.
“É chato uma criança chegar a se machucar, cair.”
O parlamentar anunciou que formalizaria a cobrança ao secretário responsável, solicitando providências para recuperar o espaço.
VEREADOR DIZ QUE COBRANÇA VEM DESDE FEVEREIRO
O que poderia parecer um problema identificado recentemente ganhou outra dimensão quando o vereador Juliano também se manifestou.
Segundo ele, a situação já havia sido levada ao conhecimento da administração municipal meses antes.
Juliano afirmou que esteve no local em fevereiro, acompanhado pelo presidente da Câmara, e apresentou uma indicação ao prefeito Cláudio Scariote.
Inicialmente, o vereador teria sugerido o aproveitamento do espaço para estacionamento, mas explicou que uma restrição legal impediria essa alternativa.
Diante disso, solicitou a construção ou recuperação da calçada.
“Eu sugeri que seja feita a calçada, fiz uma indicação que seja feita a calçada, né? Mas o prefeito falou que vai dar andamento no pedido, mas a população cobra.”
Ou seja, conforme o relato do parlamentar, o problema já era conhecido pela Prefeitura havia vários meses.
E, apesar das cobranças, voltou a ser discutido em plenário em outubro.
“TUDO NO SETOR PÚBLICO DEMORA DEMAIS”
Outro vereador também reforçou as críticas, afirmando que a situação da calçada já vinha sendo discutida desde o início de seu mandato.
Segundo ele, a Prefeitura teria informado que a intervenção estava incluída no planejamento municipal, mas a demora continuava incomodando.
“Já foi dito que tá no planejamento para ser feito, inclusive as próprias calçadas ali para quem pratica esporte nas avenidas, foi dito que tá no planejamento, mas tudo no setor público demora demais.”
A manifestação reforçou uma reclamação recorrente durante a sessão: a diferença entre anunciar uma providência e efetivamente entregá-la à população.
O parlamentar também destacou que os cidadãos esperam resultados concretos, e não apenas explicações sobre os motivos da demora.
DINHEIRO NÃO PARECE SER O PRINCIPAL PROBLEMA
A discussão aconteceu na mesma sessão em que o vereador André apresentou dados sobre a arrecadação municipal.
De acordo com os números mencionados na tribuna, Sapezal arrecadou aproximadamente R$ 230 milhões entre janeiro e setembro de 2026.
O valor demonstra a dimensão financeira do município, embora não signifique que toda a arrecadação esteja livre para qualquer despesa.
Ainda assim, os parlamentares questionaram por que intervenções consideradas simples continuam demorando tanto.
Se existe estrutura administrativa, equipes de trabalho e capacidade de planejamento, por que uma calçada pública permanece danificada durante meses?
Essa é a pergunta que a população tem o direito de fazer.
PARA COBRAR, A PREFEITURA É RÁPIDA. E PARA FAZER?
A situação também levanta uma discussão sobre a responsabilidade compartilhada pela conservação dos espaços urbanos.
A manutenção das calçadas é importante para a acessibilidade, a segurança dos pedestres e a organização da cidade. Por isso, é legítimo que o município fiscalize o cumprimento das obrigações previstas na legislação.
Entretanto, a fiscalização precisa caminhar ao lado do exemplo.
Não basta exigir que moradores e comerciantes mantenham seus espaços em condições adequadas se uma área sob responsabilidade pública permanece apresentando problemas.
Afinal, uma calçada danificada não escolhe quem vai cair. O risco existe para crianças, idosos, pessoas com deficiência e qualquer cidadão que precise passar pelo local.
A POPULAÇÃO QUER SABER QUANDO SERÁ RESOLVIDO
Os pronunciamentos dos vereadores indicam que a administração municipal já teria conhecimento da situação e recebido pedidos de providências.
A transcrição da sessão, entretanto, não informa se existe ordem de serviço emitida, contrato para execução da melhoria ou prazo definido para conclusão.
Essas informações precisam ser esclarecidas pela Prefeitura.
O Oeste News mantém espaço aberto para que a administração municipal informe quais providências foram adotadas e quando a calçada será recuperada.
Porque cobrar o cidadão é fácil. Difícil é explicar por que aquilo que a Prefeitura exige dos outros continua faltando justamente no espaço que está sob sua responsabilidade.
E em uma cidade que movimenta tantos recursos, uma calçada não deveria precisar de meses de cobrança e de vários discursos na Câmara para receber atenção.
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